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Brasil

Tarifaço dos EUA sobe para até 37,5% e acende alerta na indústria automotiva do Grande ABC

Diego Velázquez
Diego Velázquez Publicado 28 de julho de 2026
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Nova sobretaxa americana sobre autopeças e aço eleva custos de exportação, preocupa fabricantes da região e reabre debate sobre resposta do governo brasileiro.

Contents
Como funciona a nova cobrança e quais setores são atingidosO que muda para a indústria automotiva e para o polo do ABCComo o governo brasileiro pretende reagir e o que muda para o consumidor

Desde a última quarta-feira, dia 22 de julho, entrou em vigor uma sobretaxa adicional de 25% cobrada pelos Estados Unidos sobre uma extensa lista de produtos brasileiros, entre eles aço, açúcar, etanol, itens têxteis, calçados e autopeças. Nas próximas semanas, outra cobrança de 12,5% deve se somar a essa taxa, elevando o percentual total para até 37,5% em parte das exportações. A medida chega em um momento sensível para o polo industrial do Grande ABC, região historicamente ligada à cadeia automotiva e à produção de componentes destinados ao mercado externo. Diante desse cenário, cresce entre empresários e trabalhadores locais uma dúvida concreta: até que ponto o tarifaço vai afetar contratos, empregos e o custo final de produtos que também circulam no mercado interno. Este texto reúne o que já se sabe sobre a nova cobrança, seus efeitos sobre o setor automotivo e os caminhos que o governo brasileiro estuda para reduzir o impacto.

Como funciona a nova cobrança e quais setores são atingidos

A sobretaxa foi oficializada em 15 de julho e passou a valer no dia 22, atingindo praticamente todos os segmentos da pauta exportadora brasileira, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O impacto mais forte recai sobre a indústria de transformação, o setor têxtil-calçadista e os fabricantes de máquinas e equipamentos, além do segmento de autopeças, item de peso direto para a economia do ABC Paulista. A entidade orienta as empresas exportadoras a revisar com atenção a classificação tarifária de cada produto, já que esse código define se ele está sujeito à taxação cheia ou se entra em alguma das exceções abertas pelos americanos. Também recomenda revisar contratos em vigor, verificar cláusulas que permitam repassar parte do custo ao comprador nos Estados Unidos e manter contato direto com despachantes aduaneiros.

No caso específico das autopeças, a mudança de regras retirou parte da produção nacional das listas de exceção previstas pela chamada Seção 232, o que fez com que fabricantes que antes estavam protegidos passassem a pagar a taxa cheia a partir de 22 de julho. Entidades do setor, como Sindipeças, Abifa e Abimaq, calculam que a medida deve atingir cerca de 520 fabricantes espalhados pelo país, com peso relevante nos polos automotivos de São Paulo. Levantamentos citados por veículos especializados apontam que, somente entre São Paulo e Santa Catarina, a concentração de empresas exportadoras responde por mais da metade do impacto financeiro estimado do tarifaço no Brasil, o que reforça por que a preocupação chega com força também às fábricas e fornecedores instalados no Grande ABC.

O que muda para a indústria automotiva e para o polo do ABC

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou 567 milhões de dólares em autopeças para os Estados Unidos, segundo maior destino do setor, atrás apenas da Argentina. Mesmo antes da nova rodada de tarifas, esse volume já vinha em queda de 10,4% na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados do Sindipeças. A balança comercial do setor é favorável aos americanos desde 2010, o que torna a nova cobrança ainda mais sensível para fabricantes brasileiros que dependem desse mercado para manter linhas de produção ativas. Um dos riscos mais citados por especialistas é a perda de competitividade em programas futuros das montadoras, que podem passar a buscar fornecedores em outros países para reduzir custos.

Reportagem do Correio Braziliense destaca que o efeito do tarifaço não se limita à queda imediata nas exportações. Segundo a publicação, a sobretaxa tende a provocar uma reação em cadeia, com possível redução de investimentos, congelamento de contratações e desvalorização da produção industrial brasileira frente à concorrência internacional. Para o polo automotivo do ABC, que reúne montadoras e uma extensa cadeia de fornecedores, esse tipo de efeito indireto preocupa tanto quanto a taxa em si, já que decisões de investimento costumam ser tomadas com base em cenários de médio prazo. Ainda assim, a mesma reportagem observa que nem todos os produtos foram incluídos na sobretaxa: itens como carne bovina, café, suco de laranja, celulose e componentes aeronáuticos entraram em uma lista de isenções negociada para proteger setores considerados mais vulneráveis à inflação nos Estados Unidos.

Como o governo brasileiro pretende reagir e o que muda para o consumidor

Diante da escalada da disputa comercial, o governo brasileiro avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e estuda medidas de reciprocidade, segundo apurou o Correio Braziliense. Paralelamente, especialistas ouvidos pela Forbes Brasil apontam que linhas de crédito voltadas a capital de giro, compra de máquinas e busca por novos mercados podem ajudar a amortecer o golpe sobre empresas de setores como química, farmacêutica, têxtil e automotivo. Para esses analistas, a eficácia dessa resposta depende de as linhas serem direcionadas a negócios economicamente viáveis e terem prazo limitado, já que uma resposta ampla ou prolongada poderia pressionar o custo fiscal e os juros de longo prazo do país.

Um ponto que preocupa diretamente o bolso do brasileiro é o possível efeito do tarifaço sobre o dólar e sobre a trajetória dos juros. Segundo a mesma reportagem, a tensão comercial tende a aumentar a cautela de investidores estrangeiros, o que pode dificultar a esperada queda da taxa Selic e encarecer o crédito também para quem não exporta um único parafuso. Isso significa que o impacto do tarifaço não fica restrito às fábricas do Grande ABC ou aos números do comércio exterior: ele pode chegar, ainda que de forma indireta, ao financiamento de um carro, de uma casa própria ou de um pequeno negócio local.

Passados os primeiros dias de vigência da nova sobretaxa, o cenário para o polo automotivo do ABC segue de observação. Entidades do setor continuam reunidas com o governo em Brasília em busca de uma solução negociada, enquanto empresas locais revisam contratos e buscam alternativas de mercado para reduzir a dependência do comprador americano. O desfecho dessa negociação deve definir não apenas o ritmo de produção nas fábricas da região nos próximos meses, mas também o volume de vagas de emprego que dependem direta ou indiretamente da cadeia automotiva exportadora.

Fontes:
FecomercioSP
Tribuna Online
Terra
Correio Braziliense
Forbes Brasil

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