Um atendimento de saúde não se resume à consulta, ao exame ou à prescrição de um tratamento, aponta o pós-graduado em geriatria, Yuri Silva Portela, nesse sentido, a forma como o paciente é recebido, ouvido e orientado também interfere na experiência de cuidado. Essa perspectiva é especialmente importante no acompanhamento de pessoas idosas, que podem apresentar necessidades diferentes conforme suas condições físicas, emocionais, sociais e familiares.
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Por que ouvir o paciente é parte do cuidado?
A escuta é um dos primeiros elementos de um atendimento humanizado. Quando o profissional permite que o paciente explique o que sente, quais são suas dificuldades e quais preocupações possui, consegue reunir informações que nem sempre aparecem em exames ou registros clínicos. A conversa pode revelar mudanças na rotina, efeitos de medicamentos, limitações e outros aspectos relevantes para compreender a situação. Inclusive, sentir que sua experiência está sendo levada a sério pode facilitar a construção de uma relação de confiança durante o acompanhamento.
No caso dos idosos, essa atenção pode ser ainda mais necessária. Alterações na audição, na memória, na mobilidade ou na própria maneira de expressar sintomas podem dificultar a comunicação. Por isso, o Doutor Yuri Silva Portela sustenta que falar com clareza, respeitar o tempo de resposta e verificar se as orientações foram compreendidas são atitudes que ajudam a tornar o contato mais acessível. Esse cuidado também reduz o risco de informações importantes serem perdidas durante a consulta.
Ouvir também significa permitir que o paciente participe da conversa sobre sua própria saúde. Em vez de receber informações de maneira passiva, ele pode esclarecer dúvidas, relatar experiências e compreender as possibilidades apresentadas pelo profissional. Logo, essa participação cria uma base mais adequada para as decisões que vêm a seguir. Quando existe espaço para essa troca, o cuidado tende a considerar melhor as necessidades e preferências de quem está sendo atendido.
Como a comunicação influencia o atendimento?
Uma orientação pode estar tecnicamente correta e, ainda assim, não ser compreendida. Termos médicos, instruções extensas ou explicações rápidas podem deixar dúvidas, principalmente quando o paciente precisa seguir uma rotina de cuidados depois da consulta. A comunicação humanizada procura transformar informações complexas em explicações que façam sentido para quem está recebendo o atendimento. Quando a mensagem é apresentada de forma clara, o paciente consegue identificar com mais facilidade o que precisa fazer e quais cuidados deve observar posteriormente.

O Doutor Yuri Silva Portela ressalta que também é importante observar como a informação é transmitida. Explicar um procedimento antes de realizá-lo, informar o motivo de determinado exame e esclarecer como utilizar um medicamento são atitudes simples que podem reduzir inseguranças. O paciente precisa entender o que está acontecendo, e não apenas seguir instruções sem saber por quê. Esse diálogo também permite que dúvidas sejam identificadas ainda durante o atendimento, evitando que informações importantes fiquem sem esclarecimento.
Humanizar significa adaptar o cuidado? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela
Tratar todos os pacientes com respeito não significa necessariamente oferecer exatamente a mesma abordagem. Algumas pessoas precisam de mais tempo para se movimentar, outras podem necessitar de recursos para facilitar a comunicação ou de explicações adicionais. Reconhecer essas diferenças é uma forma de tornar o atendimento mais acessível. Essa adaptação pode fazer com que o paciente se sinta mais seguro e consiga participar do cuidado de maneira compatível com suas condições.
A rotina do paciente também precisa entrar nessa avaliação. Uma recomendação pode parecer simples dentro do consultório, mas encontrar dificuldades quando chega à vida cotidiana. Questões relacionadas à mobilidade, ao transporte, à alimentação, ao uso de medicamentos ou à presença de alguém para auxiliar nos cuidados podem interferir na capacidade de seguir determinada orientação. Considerar essas circunstâncias ajuda o profissional a identificar possíveis obstáculos e buscar alternativas mais adequadas para cada situação.
Essa atenção ao contexto não elimina a necessidade de critérios técnicos, pontua o Doutor Yuri Silva Portela. Pelo contrário, permite que o cuidado seja pensado de maneira mais adequada à realidade de quem o recebe. A humanização, nesse sentido, não é substituir conhecimento profissional por acolhimento, mas unir competência técnica e compreensão das necessidades individuais. O resultado é uma abordagem que mantém a segurança do atendimento sem ignorar as características e possibilidades de cada paciente.
