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sábado, maio 25, 2024
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Em baixa na indústria automotiva, ABC vai receber fábricas de montadoras chinesas

Visando recuperar a velha força na indústria automotiva, o ABC Paulista, na região metropolitana de São Paulo, vai receber novas fábricas em breve.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC anunciou protocolo de intenções com a Chery e a Beijing Peak Automotive, montadoras chinesas que estão interessadas em fabricar seus ônibus elétricos e veículos na região.

A assinatura do protocolo se deu na quinta-feira (13), em Brasília (DF), tendo sido divulgado na sexta-feira (14). O projeto foi batizado de #ARetomada.

O compromisso de fazer investimentos deste porte na nossa região é ótima notícia, porque traz mais geração de empregos, renda, crescimento industrial e do comércio do ABC.

Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Chinesas desembarcam no ABC

  • No início deste mês, o sindicato recebeu representantes da Sinomach (China National Machinery Industry Corporation), que deseja fabricar ônibus elétricos na região – ela assinou memorando de entendimentos em 1º de julho com várias medidas estimadas;
  • Várias chinesas vêm entrando no Brasil nos últimos tempos:

-A GWM comprou a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP);
-A BYD comprou planta em Camaçari (BA);
-A Chery mesma já tem fábrica em Anápolis (GO) em parceria com a Caoa.

Essa relação e demonstração da possibilidade de investimentos da Chery e da Peak, além da Sinomach que discutimos dia 1º, mostra o quanto o ABC ainda é importante industrialmente e coloca o ABC como lugar estratégico para investimento industrial.

Aroaldo Oliveira da Silva, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Saída da indústria automobilística na região paulista
O ABC é considerado berço da indústria automotiva nacional desde seus primórdios, com fábricas da Volkswagen, em São Bernardo, e da GM, em São Caetano, por exemplo. Contudo, isso vem mudando especialmente nos últimos anos, quando empresas lá localizadas se transferiram para outros locais.

As coisas começaram a mudar bastante nos anos 1990, com a chegada de novas montadoras, que foram para outras partes do País por incentivos fiscais e mão-de-obra mais barata.

Entre os exemplos, estão:

  • Honda, com fábrica em Sumaré (SP);
  • Toyota, que preteriu grande espaço em São Bernardo para ir para Indaiatuba (SP);
  • Ford e Jeep, que estão no Nordeste, na Bahia e Pernambuco, respectivamente.

Em 2019, com o início do fim da Ford no Brasil, a fábrica da montadora foi uma das afetadas e perdeu 600 funcionários e outros 2,2 mil foram realocados. No ano passado, foi a vez da Toyota anunciar o fechamento de sua fábrica em São Bernardo até o fim deste ano, levando a produção para o interior do Estado: Indaiatuba, Porto Feliz e Sorocaba.

Pedido a Lula
Em maio passado, o Sindicato entregou ao presidente Lula estudo sobre o setor automotivo elaborado por ela e pela subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Nele, existem propostas para resgate do setor na região (na qual Lula construiu suas carreiras profissional e política, além de ter sido uma das vozes do Sindicato no século passado), tais como redução dos juros e valor dos automóveis (algo feito recentemente com os incentivos do governo), nacionalização de peças e proteção aos empregos.

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