Chuva de ‘pó branco’ preocupa moradores de bairros próximos ao Polo Petroquímico de Capuava, no ABC Paulista

Hahn Scherer
Hahn Scherer

Cetesb diz que o resíduo foi provocado por falhas operacionais de uma refinaria da região e não traz risco à saúde; Petrobras confirma que foi ‘emissão pontual de material particulado’.

Nesta sexta-feira (24) um “pó branco” invadiu casas e cobriu carros do Parque São Vicente, em Mauá, e bairros adjacentes em Santo André, no Grande ABC, na Região Metropolitana de São Paulo. Os moradores que tiveram essa surpresa estão perto do Polo Petroquímico de Capuava e reclamam da poluição que vem da região.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) disse que foi acionada na noite de quinta-feira (23) e “constatou a presença do pó branco” provocado por falhas operacionais de uma refinaria da região que teriam sido já informadas à Agência Ambiental do ABC, responsável pela fiscalização.

Ainda não se sabe qual substância provocou esse pó branco, mas a Cetesb diz que “o produto não apresenta riscos sérios à saúde”. No entanto, afirmou que é recomendada a busca por atendimento médico em caso de reação alérgica.

A Petrobras explicou que, na madrugada de sexta (24), “houve a emissão pontual de material particulado” vindo da Refinaria de Capuava depois uma manutenção programada.

José Luiz Saikali, promotor de Justiça do Meio Ambiente de Santo André do Ministério Público do Estado de São Paulo, explica que a fuligem e os problemas trazidos do Polo Petroquímico já foram discutidos em uma CPI e em ações que seguem na Justiça há mais de 20 anos. “É um problema muito antigo, e a ação teve como base uma pesquisa da endocrinologista Maria Ângela Zacarelli no final da década de 1990”, lembra o promotor.

“A gente só quer o bem-estar da população. Não queremos a população doente por causa das atividades industriais realizadas nessas empresas. Ninguém é contra a atividade econômica, ninguém é contra a geração de empregos”, afirma Saikali.

Pelas trocas de mensagem em uma página da vizinhança, os moradores também perceberam que a sujeira aparecia em outras ruas do bairro. Jardel Enzeberg mora desde que nasceu no Parque São Vicente e foi quem criou a págin. Ele diz que este não é único problema. “Há algumas semanas, todo mundo comenta sobre um barulho que parece uma turbina durante a noite. É um barulho ensurdecedor que incomoda na hora de dormir”, conta Jardel.

Não foi a primeira vez que os moradores tiveram que lidar com a poluição vinda desse complexo. É um problema recorrente. Em 2022, os moradores registraram que um pó branco invadiu as casas e os carros dos bairros que ficam perto das fábricas.

O Polo Petroquímico fica no limite entre Mauá e Santo André, e a Zona Leste de São Paulo. Por isso, no ano passado, a prefeitura da capital paulista fez um estudo para verificar o impacto desses resíduos. A análise descartou a existência de alguma relação entre a emissão dessas substâncias e os casos de doenças na tireoide em bairros da capital que são vizinhas do Polo Petroquímico. Mesmo com esse resultado, porém, o inquérito não descartou a ligação com outras doenças.

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